Conexões
Na publicação anterior, falei de como é um voo, do momento em que você entra na aeronave até o desembarque.
Como disse ali naquele texto, ficou faltando falar agora de um tema super importante que gera confusão até em passageiros com bastante experiência em viajar de avião: conexões. Por isso, recomendo esse texto a todos, inclusive aqueles com bastante “milhagem” dentro de uma aeronave!
Fala a verdade: o sonho de qualquer passageiro é sair do aeroporto mais perto da sua casa e chegar no aeroporto mais perto do lugar onde ficará no seu destino… Mas a gente sabe que nem sempre isso é possível. =(
Quase todas as companhias aéreas no mundo trabalham com a centralização de suas operações em um ou alguns poucos (não mais que uns 4 ou 5) aeroportos, geralmente nas maiores e mais importantes cidades de seus países. Esses aeroportos “centrais” para essas companhias aéreas são chamados de hub.
No sistema de hub, a companhia aérea concentra suas operações no aeroporto hub, de onde partem seus voos para a maioria dos demais destinos por ela atendidos. Assim, a não ser que você more próximo a um aeroporto hub, provavelmente precisará fazer uma conexão no aeroporto hub para chegar no seu destino final.
Além dos hubs principais, é comum que as companhias também tenham alguns hubs secundários em lugares um pouco mais afastados, que servem para alimentar os destinos mais regionais. Por conta disso, se você está indo para um aeroporto regional menor, as vezes precisará fazer mais de uma conexão até o seu destino final, passando no meio do caminho pelo hub principal e pelo hub secundário.
Mais à frente vou detalhar para você como isso funciona em cada companhia aérea brasileira. De qualquer forma, já posso passar algumas informações importantes sobre os principais hubs brasileiros.
O principal hub do Brasil é, sem dúvida, o Aeroporto Internacional de São Paulo-Guarulhos, já que, além de atender a maior cidade do Brasil, é a principal porta de entrada da América do Sul. Por conta disso, trata-se de aeroporto imprescindível para alimentar o tráfego aéreo de todo o continente, ponto vital da operação de todas as companhias aéreas nacionais. Assim, se você está saindo do Brasil ou chegando de volta por aqui e não vai descer em São Paulo, é provável que de qualquer jeito tenha que passar pelo menos algumas horas em Guarulhos, em conexão.
Além de Guarulhos, outros aeroportos importantes para a distribuição da malha aérea brasileira são os aeroportos de São Paulo-Congonhas, Campinas, Rio de Janeiro-Galeão, Belo Horizonte-Confins, Brasília, Recife, Fortaleza, Porto Alegre, Belém e Manaus. Cada companhia aérea nacional adota a sua estratégia específica de distribuição de seus passageiros, o que vou explicar com mais calma em outras publicações.
Pois bem, agora que já expliquei porque você vai ter um voo de conexão (ou mais) no seu trajeto, você já deve estar querendo saber… como vai funcionar isso?
Em primeiro lugar, como já te contei antes, quando você fizer o seu check-in, receberá todos os cartões de embarque de que precisará no seu trajeto. Ou seja: para cada voo, um cartão de embarque!
Em conexões nacionais, não há nenhum mistério. Depois do check-in, se você tiver mala para despachar, ela será despachada até o destino final e você só vai pegá-la quando chegar no destino final. Além disso, quando você chegar no destino do seu primeiro voo, você sequer precisará sair da área restrita do aeroporto para pegar seu voo de conexão: bastará você seguir as placas indicativas para passageiros em conexão para que você chegue à sala de embarque do aeroporto de conexão. Em muitos aeroportos mais modernos o desembarque é feito pela sala de embarque, o que facilita ainda mais o processo. Aí é só conferir de que portão sairá sua conexão e aguardar o embarque do seu próximo voo!
Fácil demais, né?
Se o seu voo for internacional, porém, as regras variam de acordo com o trajeto que está fazendo. Detalhar todos os casos é impossível, mas vou tentar fazer um apanhado geral.
Se você está saindo do Brasil para um destino internacional com conexão no Brasil (em um aeroporto como Guarulhos ou Galeão), sua bagagem também será despachada até o destino final. No entanto, você precisará passar pelo controle de passaporte no aeroporto onde fará conexão e talvez tenha que trocar de terminal.
Se você está saindo do Brasil para um destino no exterior com conexão em um terceiro país (muito comum para quem viaja para lugares na Europa, Ásia, África e Oceania), as regras de conexão variam muito de país para país.
Vou escrever com mais calma sobre esse tema depois, mas para já passar algumas informações que acho importantes, se sua conexão for na Europa ou na América do Sul sua bagagem geralmente será despachada do Brasil até o destino final e o processo no aeroporto de conexão tende a ser bem simples (no máximo você precisará trocar de terminal). Por outro lado, se sua conexão for nos Estados Unidos o processo é bem mais burocrático, pois você precisará de um visto de trânsito (caso não tenha visto de turista) e terá que passar pela imigração, retirar sua bagagem despachada, despachar novamente a bagagem e passar novamente pela segurança para então embarcar no seu voo de conexão. Por conta disso (atenção quem quer passar férias na Ásia!) é relativamente comum encontrar passagens mais baratas para países como Japão, China e Coreia do Sul passando pelos Estados Unidos, já que é uma forma de “compensar” essa burocracia.
Se você está saindo do Brasil para um destino no exterior com conexão no país de destino, provavelmente terá que passar pela imigração no lugar onde fizer a conexão e ali também precisará retirar a bagagem despachada. Depois terá que despachar a bagagem novamente e submeter-se de novo à segurança para poder embarcar no voo rumo ao destino final.
Se você está voltando para o Brasil e o seu destino final não é o aeroporto por onde entrará no Brasil, também não terá a bagagem despachada até o destino final. Deverá passar pelo controle de imigração e pela alfândega no aeroporto de conexão, e por isso também deverá retirar a bagagem despachada neste aeroporto. Depois da alfândega basta seguir as placas até o despacho de bagagem para voos em conexão, de onde elas serão encaminhadas para o restante do seu trajeto, seguir para o terminal de onde sairá seu voo de conexão, passar pela segurança e esperar seu próximo voo.
Dito tudo isso, minhas dicas para quem sabe que terá um voo de conexão são as seguintes:
1 – antes de comprar a passagem, confira em que terminal o primeiro voo pousará e de que terminal o próximo voo partirá.
2 – caso os terminais de chegada e de saída sejam diferentes, procure mais informações sobre o aeroporto onde fará sua conexão, para ver quanto tempo mais ou menos irá demorar para se deslocar de um ponto ao outro, se terá que passar pela segurança novamente, se o deslocamento entre terminais precisará ser feito com algum tipo de trem ou ônibus, etc. Aqui no Brasil os deslocamentos entre terminais não costumam ser longos e difíceis (vou falar com mais calma de alguns aeroportos daqui algum tempo), mas no exterior é comum que os grandes aeroportos tenham inúmeros terminais e que você precise deixar reservada pelo menos cerca de meia hora para se locomover de um deles até o outro. Na internet não é difícil achar o mapa desses aeroportos, principalmente nos sites oficiais deles.
3 – infelizmente sempre há o risco do seu primeiro voo atrasar. Se forem vários os passageiros na mesma situação que você, é provável que a companhia aérea espere um pouquinho para autorizar a saída do segundo voo, pois a dor de cabeça de um pequeno atraso é menor que o de remanejar diversos passageiros. No entanto, se forem poucos os azarados atrasados, a companhia aérea não terá como te esperar. Nessa hipótese, porém, lembre-se que a companhia aérea precisará remanejar você para um outro voo para seu destino final e observar uma série de regras sobre atrasos que em outra postagem vou contar com bastante calma, então não se desespere!
4 – ciente do que eu disse nos itens 1, 2 e 3, minhas recomendações de tempo ideal na hora de comprar uma viagem com conexão são as seguintes:
a) conexão nacional: ao menos 45 minutos entre a chegada prevista do primeiro voo e a partida prevista do próximo voo costuma ser suficiente (se houver mudança de terminal, ao menos 1 hora);
b) se você está saindo do Brasil para um destino internacional com conexão no Brasil: como você precisará passar pelo controle de passaportes, talvez tenha que trocar de terminal e passar novamente pela segurança e o embarque de um voo internacional costuma ser mais lento, recomendo ao menos 2 horas entre a chegada prevista do primeiro voo e a partida prevista do próximo voo;
c) se você fará uma conexão fora do Brasil em que não precisará fazer imigração e retirada/despacho de bagagem no local de conexão, recomendo ao menos 90 minutos entre a chegada prevista do primeiro voo e a partida prevista do próximo voo se a conexão for no mesmo terminal. Se for em terminais distintos, ao menos 2 horas;
d ) se você fará uma conexão que envolve procedimento de imigração e retirada de bagagem (no Brasil ou no exterior), recomendo ao menos 2 horas entre a chegada prevista do primeiro voo e a partida prevista do próximo voo se a conexão for no mesmo terminal. Se for em terminais distintos, ao menos 2 horas e meia.
Só para fechar esse texto, antigamente era comum as pessoas falarem mais em “escalas” e menos em “conexões”. Isso acontecia porque menos companhias aéreas operavam com o sistema de hub, então era comum um único voo sair de um lugar como São Paulo e ir até um lugar como Belém com várias paradas no meio do caminho (chamadas de escalas), em locais como Goiânia, Brasília, Teresina e São Luís. Eram voos super longos e cansativos para os passageiros, além de pouco eficientes para as companhias aéreas. Por conta disso, hoje em dia são raras as rotas das companhias aéreas que trabalham com escalas e é muito mais provável que seu voo seja um voo de conexão, não com escalas.
Viu como esse negócio de conexão é simples? Aposto que você já está pronto para a sua!